A Salvador que já foi símbolo de alegria, liberdade e convivência cultural, hoje lembra uma repartição pública gigantesca. É radar em cada esquina, limite para patinete, punição na praia e boletos a caminho de casa. Com 357.137 multas de trânsito em apenas seis meses, a capital baiana está se tornando um gigantesco Detran municipal, onde tudo pode ser motivo de autuação.
Os motoristas são os alvos preferenciais da Transalvador, que automatizou a repressão com radares e celulares de agentes. Os dados revelam que mais da metade das multas foram aplicadas por sensores fixos. A lógica é clara: quanto mais tecnologia punitiva, mais multas. E quanto mais multas, mais dinheiro entra nos cofres da prefeitura.
A situação se agrava com a criação de novas normas para patinetes e bicicletas elétricas. O discurso de segurança serve de verniz para um conjunto de medidas que só reforçam o controle do espaço público. Com limites de velocidade irreais e fiscalização pesada, o cidadão é desencorajado a buscar mobilidade sustentável.
Nem as praias escaparam. Um projeto de lei quer proibir caixas de som e aplicar multas pesadas, transformando o lazer popular em alvo de criminalização. A música que sempre embalou o verão baiano está prestes a ser silenciada por uma prefeitura mais preocupada em fiscalizar do que em promover cultura.
Enquanto isso, as promessas de melhorar a infraestrutura urbana e a mobilidade pública seguem no papel. A Salvador de ACM Neto e Bruno Reis virou um gigantesco balcão de multas, onde a única coisa que se move com eficiência é o talão eletrônico do agente de trânsito.
